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O exame

por Henrique Monteiro, em 24.06.08

 

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29 comentários

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De Liliana a 24.06.2008 às 15:38

Amigo, tem tudo a ver com tudo!
Em primeiro lugar porque para mt gente, conseguir chegar à positiva é conseguir entrar na faculdade.
Em segundo lugar, começar a diminuir o nível de exigência nos exames, pode facilmente levar a que se diminua o nível de exigência durante o ano lectivo.
Não sei há quantos anos não deverá haver um exame complicado, como tu dizes. Já fiz o meu há uns... 5 anos e não era complicado. O ano passado a escalada das médias foi o resultado do facilitismo do exame.
Não é fazer exames para complicar como tu dizes, mas este deve incluir perguntas que distingam o raciocínio de um bom e de um mau aluno. Exercícios que façam pensar.
Isto foi dito por uma professora minha de Cálculo (Análise Matemática) da Univ : ano para ano é notório o crescimento da dificuldade a Matemática nos alunos. Também dito por um prof meu, búlgaro , é que, nós só sabemos resolver exercício, como se aprende no secundário, tipo receita, não sabemos desenvolver raciocínios .
Tudo isto só serve para um show off , para dizer, que estamos a melhorar na educação, e é mentira.
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De Cabrito do Monte a 24.06.2008 às 19:42

Em parte concordo com o que foi dito em cima, mas nós, os Portugueses, temos duas razões de peso para reclamar, por tudo e por nada. Também fiz exame há 5 anos, e voltei a fazê-lo há 4 e digo: preso por ter cão e preso por não ter, a minha análise matemática da universidade assume muito e ajuda pouco, não é o facilitismo que arruína o ensino mas sim as discrepâncias curriculares.
Exemplo: Um aluno da "via geral" não tem a mesma matemática que um aluno da via tecnológica ou da via profissional, mas fazem todos o mesmo exame de matemática e têm todos a mesma análise matemática na universidade, e qual deles se safa sem problemas? NENHUM! E porquê? Porque a matéria dada nas universidades não é nem seguimento da dada ao nível do secundário e é assumido que os alunos já sabem à partida conceitos de base para essa matéria.
Solução Lógica: DIÁLOGO entre o ensino UNIVERSITÁRIO e o ensino SECUNDÁRIO para que os programas de estudo e ensino sejam compatíveis.

Mas o que estou a dizer, isso é facilitismo, e os alunos têm é de ter negativas para mostrarmos que ensinamos bem, não é? Ou será ao contrário?

Seja como for, é impossível agradar a Gregos e Troianos e enquanto a educação estiver desligada nos seus membros e estes desligados da economia, acho que vamos continuar a passar fome a a recordar os grandes navegadores, apesar de já termos 500 anos de espera do D. Sebastião, ainda não aprendemos que o D. Sebastião somos todos nós e não é a enganar-nos a nós próprios que chegamos a qualquer lado.

Temos tudo neste rectângulo e ilhas, porque é que ainda nos recusamos a ver isso?

H.M. Bom Cartoon, como sempre!
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De Liliana a 25.06.2008 às 09:55

Tenho de concordar contigo que o diálogo seria muito importante para haver uma coerência naquilo que é ensinado nos vários níveis de ensino.
Mas fiquei este ano a saber que os alunos do ensino geral e via profissionalizante não fazem o mesmo exame. Existe um exame A e um exame B . Coisa que eu nunca tinha ouvido falar na minha época. Mas segundo me consta, apenas algumas faculdades aceitam o exame B . Mas isto vai ao encontro do que tu dizes.
Contudo continuo a achar que existe um facilitismo, sim. Porque nós tugas somos muito bons no desenrasque. E por isso, se há maus resultados a matemática, não há problema, arranja-se já bons resultados de um ano para o outro!
O estado em que as coisas estão resultam de vários factores, não é apenas de um só. Será o facilitismo, as discrepâncias curriculares, e até a mentalidade das pessoas. Eu ouço miúdos que estão a entrar no 1º ano a dizer que matemática é difícil!! Porquê?! Porque já ouviram em casa, na rua, no café, na TV e já vão com essa ideia incutida do bicho papão!
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De João Lopes a 25.06.2008 às 12:29

Olha, eu já nem sei. O que eu sei é que o desenvolvimento de um raciocínio matemático que não se baseia em "receita" como disse a Liliana, depende de cada um! Se eu dependesse dos professores para entender tudo, estava bem tramado. Se perguntarem a qualquer aluno que tenha boas notas nesta disciplina, verão que estes treinaram sozinhos e desenvolveram o seu raciocínio e as suas associações sozinhos.
Se não podemos confiar na escola e nos exames, temos de poder confiar na nossa própria cabeça.
Para terminar, quero dizer que vai haver sempre gente a dizer que este exame foi um bicho de sete cabeças, cinco patas e nove caudas, porque simplesmente não atinam com a matemática - e os professores não fazem milagres.
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De Liliana a 25.06.2008 às 16:39

Pois, qualquer pessoa que queira ter boas notas deve ter um bom explicador. É verdade que só o que se apanha nas aulas é muito pouco. E eu apanhei com cada prof de Matemática que ai senhores!
Mas também conheci bons professores. Há de tudo!
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De Hugo Fernandes a 27.06.2008 às 16:42

Oh Cabrito do Monte:

E sabes porque há discrepância entre o Secundário e a Universidade? Não foi a Universidade que dificultou.. foi no secundário que estão a facilitar. Depois é claro que o pessoal se queixa da discrepância. Fiz exame há 8 anos atrás e no "meu tempo" a Analise Matemática continuava perfeitamente o 12oAno. Alias, toda a matéria do 120Ano era resumida no primeiro mês do primeiro semestre. Depois a materia nova encaixava ali. Hoje a Analise Matemática é a mesma. As bases dos recém-chegados do secundário é que estão em falta.

Isto serve é para irem lá para fora que já não somos os mais iliterados da Europa. Oferecem-se as habilitações e sobem-se as estatísicas. Isto claro sem aumentar nenhum potencial.. E depois queremos evoluir tecnologicamente..
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De Cabrito do Monte a 27.06.2008 às 18:06

Penso que me expressei mal...
Louvo a discussão e as ideias, é sinal que afinal estamos atentos!
O que me refiro sim é ao diálogo entre universidades e secundário, visto que o programa do secundário evoluiu (para bem ou para mal, isso já é outra discussão) deveria haver um acordo entre ambas as partes.
Em relação a facilitismo... hum, não acho. Apesar de já não andar no secundário há uns anos, continuo a acompanhar (por enquanto) a evolução deste, no caso da matemática a matéria continua a ser puxada e o programa comprido (não tão comprido como o de nível académico, mas ainda assim grande), e eu apanhei (parece bruxedo) todas as reformas curriculares desde o meu 5º ano, sei como era e como ficou, e em comparação, o ensino actual de 90 minutos ainda dá mais dores de cabeça que o antigo de hora a hora, por muito que os psicólogos falem, manter crianças de 10 anos hora e meia atentas a matemática é difícil e quebra em muito o rendimento.

Para finalizar, estou de acordo com mudanças na educação, desde que sejam mudanças consistentes para todos os graus de ensino (desde o pré-primário ao académico), e sim, acho que devemos sempre ajudar e facilitar e nunca dificultar, mas é claro que tem de haver bom senso nas ajudas. Ainda assim, segundo dizem as más línguas, o nosso ensino ainda é o mais difícil a nível europeu e norte-americano, e como as sabedoria popular resulta experiência vivida, alguma verdade há-de haver nesta afirmação.

Cumprimentos a todos.
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De ... a 30.06.2008 às 13:05

o ensino universitário tem muito a aprender a nível organizacional com o ensino secundário.
Sou aluno universitário e a desorganização a este nível é muito maior que no secundário.

É pena que se esteja enveredar pelo caminho do facilitismo com fins meramente políticos tentando cumprir exigências europeias ou para com a própria sociedade após toda a contestação que se vivem (e ainda vive) nesta área.

Cartoon perfeito! Parabéns.

Cumprimentos.

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