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Mulher da semana: Leryn Franco

por Henrique Monteiro, em 31.08.08

 

Texto de Priscilla Santos

 

O apresentador da manhã na W Radio colombiana começa a entrevista dando seus bons dias e remexe compulsivamente nos papéis porque precisa saber exatamente a maior distância que Franco conseguiu fazer seu dardo atingir nessa Olimpíada. 55,38m. Se bem que isso não tem a menor importância, um portfólio onde a moça aparece semi-nua em dezenas de fotos está também ali o que lhe confere um tom maníaco sexual: Leryn, vendo os seus resultados [desfavoráveis] e a beleza [muito favorável] que você tem, não pensas que os jogos olímpicos sirvam de trampolim para sua carreira de modelo? A imprensa tem dessas coisas e faz tempo que a equipe de Julio Sanchez Cristo deixou quaisquer gentilezas na Universidade de Bogotá, porque, sem carniçagem não consegue vender nada. Há milhares de quilômetros dali, em Benjing por telefone, Leryn Franco solta uma gargalhada: tomara que sirva, é muito bom ganhar mais dinheiro.

 

Aos 16 anos de idade, Leryn Franco havia quebrado o recorde nacional de sua categoria no salto triplo e na modalidade que seria então sua especialidade, o arremesso de dardos e, já no ano seguinte, ganharia o Campeonato Sul-americano de Juniores. A Associação Internacional de Atletismo registra sua primeira grande performance em 1999 mas bem longe do Paraguai, na impronunciável cidade de Bydgoszcz, entre os rios poloneses também pouco pronunciáveis Brda e Vistula. Seus arremessos seriam cada vez melhores, ano após ano, até que lhe garantissem uma vaga nas Olimpíadas de Athenas, então para a China. Mas convenhamos, o currículo da atleta é quase eclipsado por sua beleza desmedida e a coloca no patamar de deusas esportivas como as tenistas Sharapova e Ivanovic ou da corredora (e GoDaddy girl) Danica Patrick.
 
Em recente artigo, a revista Sport Illustrated afirmou que atletas bonitos costumam comandar a lista dos mais bem pagos. Disse Bob Deutsch, o articulista, que tudo bem, primeiro você tem de ser um atleta primeiro, a beleza é secundaria mas quando aparece alguém que é fantástico nas duas coisas, então você tem uma marca. A fria e correta conclusão cai como luva no caso de Franco. Nas horas vagas entre umas 4 horas de musculação e outras 2 de alongamentos diários, Leryn vestiu sua melhor roupa de banho e partiu para a China - sem os dardos - para concorrer ao Miss Bikini Universo de onde saiu laureada com o título de Princesa do Bikini; nesse ano de 2006, ela também concorreu ao Miss Paraguay, mas ficou com o vice. Nada de tristezas, Leryn Franco, àquela altura, já havia conciliado os treinos puxados com as campanhas de moda pelo mundo.
 

Diz sobre isso que as duas carreiras se complementam: é bom ter uma atividade diferente porque, de repente, estar fazendo sempre o mesmo, sempre com tanta pressão e com tanta responsabilidade onde você coloca toda a cabeça, não é bom. Ser modelo age como uma válvula de escape das disciplinas que seu esporte exige e ainda lhe complementa a conta bancária com gordos cachês; algo muito útil na América Latina, terra de patrocínios esportivos ralíssimos. Leryn reúne aí mais um mérito; dispensa certas hipocrisias e se pode gargalhar da pergunta espinhosa do radialista declarando abertamente que, se querem lhe pagar por ser bonita, ótimo. Assim pode manter seu técnico, seus equipamentos, médicos e o que mais necessitar sem apoios públicos.
 
Mas vamos aos dados jubilosos da moça: 25 anos, pisciana, 1,75m de altura, 94 de busto, 60 de cintura e 90 de quadril. Tudo isso enformado por uma pele morena, longos cabelos castanhos e um rosto imperialmente latino onde se misturam etnias indígenas com um nariz europeu. Traços raros e de efeitos perturbadores que foram muito bem explorados pelo fotógrafo Martín Crespo no calendário pessoal de Leryn.
 
Infelizmente, a musa deixou Pequim com um amargo 52º lugar,  abaixo do 42º obtido em Athenas; desculpou-se com a torcida de seu país, disse que foram meses de muitas mudanças, como as de país, que a fez estar longe demais de sua gente, e a de equipe técnica: o esporte não é uma ciência matemática, concluiu. Leryn Franco partiu assim para a Europa, pensa em ficar lá um ano ou dois refletindo sobre os rumos a tomar no lançamento de dardos. Já nas colunas de fofoca a história é outra, a viagem se deveria ao namoro entre ela e o tenista ucraniano Novak Djokovic (ex-Sharapova!). Compreensível. Refletir sobre a vida nunca vendeu mesmo... assim concordaria a W Radio Colombiana.

 

Cartoon e artigo postados sábado no Obvious.

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