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Mulher da semana: Deborah Secco

por Henrique Monteiro, em 17.08.08

 

Texto de Priscilla Santos

 

Eu fechava um pouco os ombros na frente para parecer mais feia, conta Deborah Secco. Descobriu que a postura que vinha emprestando à Maria do Céu, personagem de sua atual novela, aquela infame das oito, provocara-lhe problemas na coluna. Procurou uma professora de reeducação de postura e foi encaminhada para a técnica dos pilates; lá acabou se corrigindo enquanto, paralelamente, exorcizava quase vinte quilos de seu peso corporal. Toda gente tem lamentado a perda.

 

Parece plausível que Deborah, no ano em que completa duas décadas de carreira, tenha emagrecido para interpretar Céu, uma retirante nordestina que se torna prostituta; como se sabe, não é possível ser retirante nordestino, alugar o corpo à preços módicos na beira da estrada e ser bem nutrido ao mesmo tempo. Mas a atual forma física da atriz não é, em princípio, um meandro profissional de composição cênica e isso Deborah explica longamente por linhas e linhas de revistas de fofoca à fio: uma personagem curvilínea em 2002, uma personal trainner de pouca boa intenção, mililitros de hormônios, musculação pesada, um distúrbio na tireóide e a chegada aos pavorosos 70 quilos. Por fim, depressão. Agora se diz vivendo uma fase Zen.

 

Deborah Secco é querida por toda media rossa por ser sempre muito delicada, acessível e apregoadora; não há um mês em que não saia em alguma boa ou má publicação uma frase sua em tom confessional do tipo fiz dez anos de análise e aprendi a dizer não, e estas numa freqüência que fariam até do Woody Allen alguém reservado. Num clima de eterno salão de beleza, Deborah tem nos assíduos leitores das revistas Caras, Quem, Contigo, Flash, Chiques&Famosos e etc., somados aos espectadores do dispensabilíssimo programa da Sonia Abrão, ouvintes cativos. Fala da compra de um apartamento novo, conta da última brincadeira de Barbie com a sobrinha (que durara três horas, por insistência dela), chora com O Caçador de Pipas, abraça barras de chocolate, e, no meio tempo, anuncia o mais novo amor da sua vida.

 

Mas algo intriga nisso tudo: afinal, Deborah nasceu com “h” no final ou ele foi amigavelmente acrescentado por alguma mãe Safira, númeróloga - traz a pessoa amada em três dias? Diametralmente opostas, as tendências auto-discursivas que beiram o vício chocam-se com a falta de informações básicas sobre a atriz da Rede Globo. Em que bairro cresceu? Como foi parar na TV? Deborah Secco disse em abril que a compulsão pelo trato da primeira pessoa nasceu dum trágico episódio familiar em que perdeu uma irmã. Tinha só um ano de idade na época, mas, inconscientemente, concluiu que deveria agradar os pais, depois os outros parentes, e os coleguinhas, e as professoras, a imprensa, ao público. Tudo analisado em meio a digressões lacanianas.

 

Na compulsão a comunicar dos nossos tempos, Deborah (Débora?) não se importa, principalmente de falar dos amores que tem ou teve e, mesmo quando desconversa, é contundente. Isso também diz que já analisou e aprendeu que não pode mais fazer, não se empolgar tanto, não procurar o paparazzi mais próximo e mostrar uma tatuagem “Fulano: amor eterno” e nem depois procurar outro para dizer que está apagando o escrito, que tem novo amor. Ninguém mais acredita. Ela já está novamente estampando red lines à queima roupa: Eu já me sinto com uma aliança, exclama sobre seu namorado, o jogador de futebol Roger, de partida para o Qatar. Secco não deveria mais torturar-se, o psicanalismo público é uma tendência que já vai longe: todo mundo gosta sabe e que só o banal íntimo interessa. Ela fala, eles escrevem, a gente lê.

 

Cartoon postado sexta-feira no Obvious.

 

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